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Anedotas
Dia 11-3-2004, Webmaster - Como
derrotar o Terror
O princípio primário do terrorismo é, naturalmente, criar terror. Mais
do que matar ou de ferir, o objecto é simplesmente aterrorizar.
O curioso é que quem pratica o terrorismo está emocionalmente em pior estado do
que quem está em terror. O Homem, embora seja basicamente bom, é susceptível de
loucuras tão bárbaras como as que ocorreram hoje em Madrid. A maldade mais não é
do que a materialização da loucura. E o que estes loucos procuram é levar os
demais à loucura.
A melhor forma de combater o terrorismo é mantermo-nos sãos e contribuir com
todas as nossas forças para que o mundo seja mais são.
Cada uma de nós tem a responsabilidade por tudo aquilo que controla. Nós temos
filhos, temos amizades, temos empregos, temos clientes e também temos
fornecedores ... nós temos algum controlo sobre todas essas relações com o que
está em nosso redor. Vamos criar sanidade naquilo que estiver ao nosso alcance.
Através da ética e do respeito aos que nos rodeiam, nós podemos fazer a
diferença. Nós podemos combater o maior objectivo do terrorismo - a insanidade.
Pesar, pena, apatia, culpa ... tudo isto corresponde a tons emocionais baixos. E
que está num baixo tom emocional é menos útil à sociedade e logo, àqueles que
visa proteger. 'Acção' corresponde a um tom emocional elevado - este é o
caminho.
Pense em algo que poderia fazer para trazer mais sanidade ao seu ambiente e
faça-o! Esta é a forma de você combater o terror.
Dia 9-3-2004, Webmaster - Parabéns
FCP
Mesmo quem não seja do Futebol Clube do Porto, se viu hoje o
jogo contra o Manchester United estará de acordo que é motivo de grande orgulho
que o FCP tenha eliminado o Manchester da forma como o fez. Foi um jogo do
caraças!!!
É esta garra que eles demonstraram que nos
deve inspirar para o Euro 2004, não acham?
Parabéns!

Não sei se repararam nos ingleses,
coitadinhos, todos nervosos com as mãos na cara e a roer as unhas. Aaaahhh!
Obrigado FCP!
Dia 5-3-2004, Webmaster - Ok, ok ...
falemos sobre o aborto
Primeiro que tudo, não vamos argumentar nem a favor nem contra!
O tema do aborto torna-se curioso pelas reacções extremas que causa em duas
importantes facções da nossa sociedade. Há os que estão fortemente contra o
aborto e os que estão pujantemente a favor do aborto. Se ouvirmos os argumentos
de ambas as partes ficamos abismados com as "certezas" que parecem ter acerca
deste assunto.
Depois há uma uma terceira (e mais ampla)
facção - os que preferem não saber - que, também não deixa de ser curioso,
acabam por ser a grande maioria.
Sobre este tema, como em outros,
seria útil ,acima de tudo, aplicarmos determinados conceitos que até podem
ser consensuais: conhecimento, coragem e compreensão.
Conhecimento: se as pessoas tiverem o
conhecimento necessário (e o divulgarem generosamente) sobre como evitar
situações em que sejam forçadas a optar por fazer, ou não, o aborto;
Coragem: se as pessoas tiverem a coragem
de confrontar as situações quando elas, apesar de tudo, ocorrem;
Compreensão: se as pessoas tiverem a
capacidade e a vontade de se colocarem no ponto de vista de outras que defendem
outras ideias, por muito diversas que sejam das nossas;
Se houver tudo isto, caros amigos, ...
então talvez as pessoas possam parar de berrar sobre este assunto e começar
finalmente a comunicar, para bem de todos.
Dia 10-2-2004, Webmaster -
Sinta-se bem!
Venha comigo! Recorde-se de um momento da sua vida em que
estava bem consigo próprio, com os outros, com os seus amigos, com os seus
inimigos, com o céu e com a terra... Quando foi? Como foi? Quem estava aí
consigo?
Foi quando o papá veio naquele dia do
trabalho e lhe ofereceu aquele brinquedo que tanto ansiava? Foi no seu primeiro
beijo à sua primeira namorada? Foi quando nasceu o seu filho? ... Procure um
momento em que se sentia muito, muito bem...
Sinta-se lá. Você está lá e sente-se lá. Você cheira o odor
do momento, sente a temperatura do momento ... você vê o ambiente à sua volta e
sente-se tal e qual como nesse exacto momento. Feche os olhos e deixe-se
extasiar por esse momento que é seu, apenas seu...
Conseguiu? Você sente-se bem!
Agora imagine que pode sentir-se
permanentemente assim. E que sentir-se assim só depende de si, da sua
ética pessoal e da sua capacidade de ser causa em relação ao seu ambiente.
Impossível?
Você ficaria espantado com a possibilidade
daquilo que lhe estou a falar. Foi um amigo meu que me ensinou.
Gostaria de lhe sugerir um novo
cumprimento para dar aos seus amigos e colegas. Será um cumprimento mais belo e
com muito mais significado do que qualquer outro que nos dias de hoje usamos de
forma tão rotineira. Da próxima vez que cumprimentar uma outra pessoa, em vez do
tradicional "Bom dia", "Boa tarde" ou "Adeus", use:
- "Sinta-se bem!" ou "Que se sinta bem!"
ou "Até amanhã e que te sintas bem!"
Bonito, não é?
Dia 1-2-2004, Webmaster - O que é a
alma?
É curioso ver as pessoas a debaterem-se com dúvidas,
questões, receios, dor e frustrações sem quase nunca se questionarem sobre uma
questão tão básica como esta: "O que é a alma?"
Se eu for ao médico com uma dor de dentes,
o médico, especializado em anatomia humana, examina-me e dá-me a sua opinião
baseada em conhecimento científico, sobre o meu problema. Depois, o mais certo é
direccionar-me para alguém ainda mais especializado do que ele - o dentista ,
para o tratamento do meu dente dorido. Se eu perguntar a um destes profissionais
o que é um dente não tenho dúvida de que terão uma resposta na ponta da língua.
Até me mostrarão um diagrama se eu pedir.
Mas se eu tiver um problema na minha vida
que me provoque uma depressão, por exemplo... muito provavelmente serei
compelido a ir a um psicólogo ... talvez a um padre ... estão a ver? Nos dias de
hoje, eu irei pedir ajuda a um profissional que, devido à sua formação, me
consiga ajudar a sair da depressão. Seria de esperar que qualquer um destes
estudiosos da psique soubesse bastante sobre aquela entidade que está sob
depressão - a alma, ela própria. Experimentem a perguntar a qualquer um destes
"profissionais" o que é a alma. Experimentem a perguntar a vários psicólogos ou
a vários padres. Será um exercício muito interessante. Sabem o qual é a raiz da
palavra psicologia? Esta palavra deriva da combinação da palavra grega psuche
(espírito ou alma) com a palavra grega logos (conhecimento, doutrina).
Literalmente, psicologia significará "o conhecimento da alma". Então, será de
esperar que um psicólogo saiba perfeitamente o que é a alma, tal como um
dentista sabe o que é um dente.
Você colocaria a saúde da sua boca à mercê
de um dentista que não sabe o que é um dente, como ele é constituído, como ele é
quando está saudável e como ele é quando está doente? Será de esperar que o seu
critério seja igualmente firme aquando da escolha de um profissional que lhe
possa ajudar em assuntos espirituais, ou seja, em assuntos da alma. Isn't
that so?
Dia 31-1-2004, Websmater - Era uma
vez uma criatura que não podia morrer
Era uma vez, num qualquer Universo, uma criatura muito
poderosa que era imortal e livre. Acontecesse o que acontecesse, ela não podia
deixar de existir, nem podia morrer ou perecer de alguma forma. Ela era
brincalhona e gostava de jogos. Ela era muito feliz a brincar com as outras
criaturas como ela. Um dia, querendo mais aventura, decidiu criar um jogo no
qual ela e as outras criaturas se esqueciam deliberadamente dos seus
poderes. O objectivo era brincar, brincar, brincar e, tal como se recupera de
uma amnésia, voltar a ser o que era antes. O jogo prolongou-se a um ponto em que
o controlo foi perdido. Algumas das criaturas em jogo consideraram que podiam
dominar as outras criaturas, subjugando-as e assim, ser poderosas dentro deste
jogo. E como neste jogo, todas as criaturas estavam amnésicas, nenhuma delas
eram capaz de se lembrar quais eram os seus verdadeiros poderes. Para comunicar
umas com as outras, as criaturas criaram formas com as quais se identificaram
sucessivamente mais e mais, até ao trágico ponto em que começaram a acreditar
que elas eram essas formas. E essas formas tinham massa e a massa dentro deste
jogo deteriorava-se. Então as criaturas pensavam que morriam, pois elas pensavam
que eram essas formas.
O jogo, no início muito divertido, começou
a ser cada vez menos divertido. Mas... era tarde demais. Elas já não podiam sair
do jogo pois tinham-se esquecido de como tudo era antes do jogo.
Por vezes, algumas das criaturas tinham
uma espécie de flashes de memória. Mas logo as outras criaturas, agora
"transformadas" em corpos, se apressavam a invalidar esses flashes dizendo-lhe
que não valia a pena pensar que se era alguma coisa mais do que um corpo.
As criaturas foram ficando cada vez mais
infelizes. Tão infelizes que deixaram de ter forças para se tentarem lembrar de
quem realmente eram. O jogo transformou-se assim numa prisão. As criaturas
viviam agora numa prisão, perfeitamente convencidas de que quando o corpo
morresse deixariam de existir. Mas como tudo aquilo era muito muito confuso e
doloroso, deixaram de confrontar a própria ideia da morte. E assim veio o medo
da morte.
Imaginem uma pessoa com medo de adormecer.
Dessa exacta mesma forma essas criaturas passaram a ter medo de morrer. Cada vez
que morriam sofriam a dor física do corpo. Mas logo depois, um pouco confusas
voltavam a "pegar" noutro corpo e começar de novo mais um ciclo de "vida". Por
um motivo qualquer, talvez ligado às criaturas mais mal intencionadas, a nova
vida era acompanhada por um esquecimento da vida anterior... Era como se uma
pessoa adormecesse e acordasse no dia seguinte sem qualquer memória dos dias
anteriores...
E aqui estavam agora essas criaturas,
outrora tão felizes e tão poderosas, capazes de criar coisas inimagináveis, ...
aqui estavam elas reduzidas a corpos compostos de átomos e moléculas, sujeitos a
todas as adversidades de um jogo agreste e doloroso. Aqui estavam estas
magníficas criaturas esquecidas de si mesmas, acorrentadas por elas mesmas, tal
não era ironia do seu destino.
Especulação?! Talvez não...
Dia 26-1-2004, 23:45 h, Webmaster -
Adeus Fehér
(Esta mensagem, é aqui apresentada muito a sério.)
Em nome das pessoas de Milfontes,
benfiquistas e de todos os outros clubes, aqui apresentamos as mais sentidas
condolências à família do jovem Fehér e a toda a equipa do Benfica.
Caro Fehér, é certo que eu não te
conhecia, tal como também não conhecia muitos outros jogadores de futebol. Mas
tu, um jovem de 24 anos, jogador destacado de uma das maiores equipas do futebol
português, terminaste esta tua vida em frente a milhões de pessoas que, por
profundo humanismo, se impressionaram e choraram a tua partida. Os teus
colegas, sentiram frente às câmaras da TV, a perda da tua presença. Foi um
momento muito doloroso para milhões de pessoas. Enquanto te debatias entre a
vida e a morte do corpo, os teu colegas mostraram em directo o quão impotentes
se estavam a sentir por não poderem te ajudar a ficar mais um pouco entre nós.
Duas horas depois, apesar do considerável esforço dos médicos de Guimarães,
resolveste finalmente abandonar o corpo, talvez por sentires que este já não te
poderia servir.
Adeus jovem Fehér! Em breve estarás
connosco novamente, noutra família, noutro país ... Os que te conheceram nesta
vida chorarão por ti porque sentirão a tua falta. Os que te receberem na tua
próxima vida chorarão de alegria pelo teu novo nascimento. Caro amigo que eu
nunca conheci, espero para ti um novo desafio bem feliz e, quem sabe, venhas a
ser mais uma vez um excelente jogador de futebol. Sejas o que decidas ser, que
sejas feliz.
Dia 9-1-2004, Webmaster
Poluirmos o ar da Terra é como darmos traques dentro da nossa própria casa,
insistindo em seguida em não abrirmos uma só janela.
Poluirmos os solos da Terra é como
andarmos a fazer có-có na nossa própria sala de jantar. Mais tarde ou mais cedo
vai cheirar, nem que seja quando pisarmos nele.
Abatermos as florestas da Terra é como
fecharmos com tijolos as janelas da nossa casa. Mais dia menos dia, acabamos por
sufocar. E se a isso juntarmos os traques e o có-có, estão a ver a porcaria que
isto é...
Será que não podemos, todos juntos,
arranjar soluções para não poluirmos mais? Tanta tecnologia, tanta tecnologia e
não há uma solução?! Não acredito. Vocês acreditam?
Dia 9-12-2003, Webmaster
Era uma vez duas repúblicas muito diferentes. Uma era a República das
Bananas, um sítio aprazível onde as pessoas até se davam bem desde que não
estivessem a conduzir. A outra era a República dos Ananases, um lugar bem
organizado e produtivo onde os habitantes eram cultos e felizes.
Na República dos Ananases, havia um grupo de profissionais com muita formação,
dedicados a garantir a segurança de todos os habitantes. Na República das
Bananas, também haviam uns senhores que trabalhavam na Polícia. Na República dos
Ananases, ser polícia dava um estatuto muito importante. Na República das
Bananas, quando alguém perguntava à mãe de um jovem que profissão ele ia ter e a
resposta era "polícia", a resposta era normalmente "então ele não consegue
arranjar nada melhorzito? Coitado!". Na República dos Ananases, estes
profissionais de segurança tinham um grande orgulho de pertencer a esta força,
pois apenas poucos de entre os melhores eram escolhidos. Na República das
Bananas, os polícias tinham gosto por terem esta profissão, mas terem que pagar
a própria farda e não terem equipamentos básicos para trabalhar (entre outras
coisas) era algo que os desmotivava um pouco.
Na República das Bananas haviam muitos acidentes na estrada. Muitos habitantes
morriam desta forma. O problema era tão grande e tão incompreendido que não
havia nenhum governo capaz de criar uma solução suficientemente eficaz para
diminuir o flagelo. Na República dos Ananases, os habitantes tinham tanto
respeito pelos polícias que muito poucos violavam as leis de trânsito. Os que o
faziam eram multados sem terem qualquer hipótese de ver as multas perdoadas. Já
na República da Bananas, poucos eram multados e apenas na pior das hipóteses
eram obrigados a pagar as multas.
Na República dos Ananases, as escolas de condução ensinavam as pessoas a
conduzir e a enfrentar muitos tipos de adversidades da estrada - piso molhado,
travagens de emergência, travessias inadvertidas de peões, etc... Na República
das Bananas, tirar a carta era mais fácil, embora se desse muita atenção às
manobras (muito importantes) como estacionar, parar numa subida e fazer os ponto
de embraiagem. Como os carros eram a gasóleo e ligeiramente acelerados, fazer o
ponto de embraiagem era, mesmo assim, uma coisa até bastante fácil.
Na República dos Ananases, todos os condutores tinham reciclagens de 5 em 5 anos
de modo a aperfeiçoarem todos os detalhes previamente detectados
estatisticamente como sendo os pontos fracos dos condutores desta república. Na
República das Bananas, o Estado preferia não maçar os habitantes com uma coisa
dessas.
Na República dos Ananases, todos os condutores mais idosos eram anualmente
submetidos a rigorosos testes de destreza ao volante. Já na República das
Bananas o Estado era muito porreiro e apenas requeria que os condutores idosos
se submetessem a uma junta médica, que sua vez também era porreira.
Na República dos Ananases, todos os condutores de todos os veículos e
velocípedes tinham que ter a mesma formação. Na República das Bananas a malta
nova e os analfabetos tinham o direito de conduzir apenas com uma licença mais
levezinha. Tão porreiras que eram autoridades desta república!
Na República dos Ananases morria, infelizmente algumas pessoas na estrada. Mas
muito poucas.
Na República das Bananas morriam muitas, muitas pessoas na estrada. Mas como as
leis são brandas e porreiras, a malta preferia não ligar muito a isso.
(Quaisquer semelhanças com a realidade é
mesmo pura coincidência.)
Dia 28-11-2003, Zé Tóníca
Como vocemessês poderem constratar o uébmester dmorou mais dum mês para
apresentar um textozito para este bló. Ora um bló não pode funcionar assim, não
é verdade? Um bló tem que ser mais mexido. Tem que ter mais estórias, mais
coisas parvas prá gente se rir, né? Eu já tinha dito ao uébmester que cria
escrever umas coisitas sobre a vida neste bló, mas ele (têmoso) não me deixou
proque dezia que eu dava muntos erros. Vocemessês podem acreditar numa coisa
destas? Ora, se eu encluzivamente leio o Recóre todos os dias e se eu tenho o
cuidado de ver a TVI todas as nôtes, para me cultiváre e tar enformado, nã posso
aceitar que um qualquére uémester me venha dezer a mim, Zé Toníca, quarta
classe fêta na tropa, técnico auxiliar de construssão civil, detentor do
curso da IBM (Introdução ao Balde de Massa) tirado na uneversidade da vida, ...
me venha dizer a mim que eu nã tenho catgoria para escrever num bló! Por amor de
Deus!!!
Fêta esta introdução (necessária!) hoje
quero me pornunciar sobre os nossos políticos. Trata-se de um tributo. (Sim,
leram bem: um tributo.) São uns moços e moças por quem a gente temos que
ter munto respêto pois nã só som trabalhadores e esforçados, como (e isto tem
que ficar aqui resistado) teiem (alguns deles) catrísticas que som beim
representativas do nosso própio povo - a malta.
Vô tentáre dáre aqui vários pontos que
fundamentom as minhas afirmações, pois aqui o Toníca, deseja-se afirmar como um
escritor de blós com caráter e com competeinça.
Ponto númbaro 1
Éi verdade que os alguns dos nossos deputados dão umas voltinhas de aviões
fantasmas e que ficom com o dinhêro e que isso tal mal. Éi! Não há que negáre.
Sendo eles os nossos representantes (da malta) não podiam ser mais
representativos dagente pois descubriu-se recentemente que mais de metade da
malta que tá de baixa não tá em casa, já tá a trabalhar, etcétera, etcétera, e
tal e tal...
Ponto númbaro 2 (sigundo)
É verdade que há políticos que teiem empresas cá fora e que fojem aos empostos
(tal mal fujir aos empostos, não é verdade). Atão não éi que se descobriu que,
por izemplo, alguns nossos porficionais do taxismo nacionále cóbrom 3 vezes mais
do que deviam cobráre e que a grande maioria deles não paga empostos. Odpois
cremos políticos ónéstos, nã cremos? Honra seja feita aos restantes taxista que
realmente som ónéstos e que apanham pela mesma medida.
Ponto númbaro 3 (tercêro)
Tamém é verdade que alguns políticos que tão lá para ixecutáre e verficar as
políticas que governam este país, para levar isto prá frente, e tal e tal...
tamém é verdade que alguns desses moços nã trabalhom munto e que preferem nã
fazer nenhum. Nã podiam tar num país mais apopriado pois grande parte da malta
tamém nã quer fazer nenhum e perferem que sejom os estragêros a cargáre os
baldes de massa por ali acima. E pesam comó raio (os baldes de massa). E fazem
calos nas mões. E alguns da gente nã quérem calos nas mões nã é assim?
Conclusões
A gente téim os políticos que mais nos representom. Se eles som maus é porque a
maioria da gente nã sabe escolher, nã quérem saber nada disso ou somos mais ou
menos como eles. E se a gente tomos sucivamente a dezer mále e nã fazemos a
ponta dum corno para mudáre nada (nem sequére na nossa própia casa) atão, odpois
a gente não podemos queixar-se. Aqui o Zé Toníca pode ser umilde, mas nã é
burro. Pode ter só a quarta classe tirada na tropa, mas sabe mais da vida que
muitos papalvos que por aí andom.
E prontos, dentro em breve, condo eu tiver
tempo para pegar num lápis e um papéle, entre um cargamento de um balde de massa
e a abretura de um rôsso, eu volto a dezer mais qualquer coisa. E quero lá saber
do uébmester....
Dia 20-10-2003, Webmaster
Falemos de um grande criador de qualidade de vida: as senhas
do fiambre.
Se há coisa em que quase todos nós estamos de acordo é de que uma fila de
espera é sempre uma grande seca. E quem não esteve já numa fila para comprar
alguma coisa ou pedir um impresso, ou ainda para simplesmente pagar impostos?
Pensando neste martírio, um qualquer génio do Século XX (que eu muito
gostaria de saber quem) implementou o sistema de que gostaria de falar -
As senhas do fiambre. Você entra na superfície comercial, dirige-se à
dispensadora de senhas numeradas e ... aguarda pelo seu número. Mas não tem que
estar em "filinha pirilau"! E essa é que é a grande inovação. Essa é que é
aquela maravilhosamente simples característica que nos providencia a tão
desejada Qualidade de Vida.
Por este sistema ninguém lhe passa à frente, por muito xico esperto que seja.
Não tem que estar a observar a caspa do senhor da frente ou a cheirar a laca da
senhora da frente. Não tem que sentir o bafo do senhor que está atrás. Não tem
que aumentar as suas probabilidades de criar varizes nem ter que se lembrar
compulsivamente que tem calos nos pés. Não tem que roer as unhas e nem se
preocupar demasiado (e às vezes injustamente) com a pretensa lentidão do
funcionário.
Pelo contrário, pode ir dar uma volta se a sua vez ainda estiver longe. Pode se
mover livremente e observar as beldades que estiverem por ali. Até pode ir fazer
um mija sem qualquer problema.
Mas... se as senhasinhas do fiambre
constituem um sistema assim tão bom, qual será a razão por não ser
instalado em muitos e muitos sítios onde ainda se pratica a dita "filinha
pirilau" ?!
Se alguém souber a resposta, diga-me, ok?
Dia 18-9-2003, Webmaster
Hoje foi um dia e tanto para os nossos canais de televisão. Tiros,
porrada, raptos por esticão, ... enfim, um autentico filme. Como não pude
evitar, devido a constrangimentos de índole familiar, lá estive eu a ver a minha
querida TVI, ... mais uma vez. De entre todas as magníficas notícias, todas elas
dignas da primeira página do não menos magnífico Jornal 24 horas ou até mesmo do
Jornal O Crime, ficaram-me na memória duas que considero perfeitamente
extraordinárias: a do assaltante da carrinha de transporte de valores que foi
preso com ajuda de populares, e a do homem que raptou o próprio filho das mãos
da mãe, levando-o debaixo do braço em cima de uma mota, como se de uma bolsa se
tratasse. Se isto não fosse coisa séria, temos de admitir que até tinha a sua
piada. É que raptos de filhos eu já tinha ouvido falar, mas raptos por esticão,
é a primeira vez. Podem achar que eu me estou a "esticar" ao falar de uma coisa
destas. Afinal há neste preciso momento, pelo menos, um menor que está a sofrer
com tudo isto. A intenção não é essa. Vejo apenas neste episódio uma boa
oportunidade para sublinhar um conceito que me parece muito importante. A
TVI, tal como as concorrentes, passa cada vez mais notícias bizarras,
deprimentes e enturbulantes. A coisa não é nova, é certo. Mas se para tudo há um
limite, parece que as nossas televisões estão a esticar cada vez mais esse
limite para um ponto que todos nós podemos saber qual é. E esse limite pode ser
hoje ser visto nos dois respeitados jornais que citei acima. Recomendo vivamente
a todos que façam um atalho. Dêem uma vista de olhos nas primeiras páginas
dos referidos diários. Esse é o futuro das nossas televisões, tal como elas
estão a evoluir neste momento.
Quanto à notícia do assaltante da carrinha
de valores, com direito a imagens exclusivas, foi um momento inédito nos
noticiários nacionais. Para quem não viu, trataram-se de imagens captadas por um
vídeo amador da cimo de um prédio. Um assaltante, após ter roubado um saco com
dinheiro de uma carrinha de transporte de valores, foi literalmente placado e
imobilizado pelo próprio segurança, condutor da carrinha assaltada. O
extraordinário foi a reacção de alguns populares que prontamente ajudaram o
segurança a imobilizar o assaltante. Já quase sem se mexer, apenas à espera da
chegada da polícia, o assaltante resistiu com tudo o que tinha. Usando uma arma
que tinha em seu poder, conseguiu dar um tiro no ombro do segurança e atingiu de
raspão um dos populares. Mas infelizmente, para o assaltante, este não conseguiu
mesmo fugir, tal não foi a bravura dos populares. Quando a polícia chegou,
imaginem, não trouxe as algemas. Juro que não estou a inventar. O assaltante
teve que ser amarrado com fita adesiva. A violência das imagens captadas
mostrava a enorme resistência do assaltante, bem como a não menos enorme
carga de porrada generosamente oferecida por um matulão que (todos nos
congratulamos) temos na nossa força policial. Eu contei prái uma meia
dúzia de socos bem enfiados. Coisa só vista no Vale Tudo que, para quem não sabe
se trata de um desporto de pura porrada que existe no Brasil. Com o assaltante
no chão a comer umas peras do nosso polícia matulão, até um popular de cabelo
grisalho (daqueles que normalmente não partem um prato) lá foi molhar a sopa com
um pontapezito nas ventas. Quem leia isto até pode pensar que eu sou adepto da
violência...
O que será que vamos ver amanhã no noticiário? Talvez uma batalha campal entre
um gang de um bairro manhoso e um grupo de valentes velhotas... quem sabe?
Dia 17-9-2003, Webmaster
O Big Brother resulta num fenómeno interessantíssimo de observar. Uma
boa parte da população portuguesa diz, pela enésina vez, para si mesma -
"Eu?! Eu não vejo essa #$%&"# . Era só o que faltava..." E, passados
alguns episódios desta magnífica série, lá está o portuga a rir para o
televisor, a tentar conter a lagriminha no cantinho do olho e a insultar
baixinho a enérgica Teresa Guilherme para, logo de seguida, dizer (também
baixinho) - "a gaja tem uma lata ... ha, ha, ha ... sacana! ... isto até é
giro..." e outras coisas assim.
Mas ... meus amigos ... nada de assumir em
público que se vê o Big Brêdar (como se diz em português moderno). Nada
disso! Então como é que ficava a reputação, hã?!
Haverá, de certo, aquele momento em que se
tenha que discutir com familiares, amigos e colegas de trabalho, porque é que a
tal anda com o outro, ou a forma como a Teresa Guilherme falou com "aquele que é
louro e que tem a mania que é engatatão". Chegado a esse momento é necessário
ter o máximo de cuidado. Há que começar a conversa com a frase: " Big
Brêdar?! Eu não vejo aquela m*$%§ ... mas ontem, .... estava eu a jantar,
quando os gajos interromperam a emissão para dar um directo... Vai daí, aquela
loira estava mesmo na marmelada com o baixinho... ". Tá a ver a ideia? Não
se ria muito! Nunca diga os nomes deles. Isso revelaria um certo envolvimento
emocional. E você não quereria isso, pois não?
Já na intimidade do seu lar, ligue o
televisor e, discretamente vá fazendo o zappingzinho até chegar à TVI e aguarde.
Quando começar um directo ou estiverem a dar um compacto, exclame: " Lá estão
eles a dar outra vez esta m#$%§ ... tsss ...". Dá-lhe credibilidade e mantém a
sua reputação intacta no seio da sua família. E o respeito da família, como
todos sabem, é muito importante. Depois vá desfrutando do enredo. Cuidado com as
emoções.
O Big Brother tem algumas características
que o tornam, imaginem, uma espécie de réplica de um universo divino. Divino??!!
Sim, divino! Já reparam que os
concorrentes vão para dentro da casa viver uma espécie de vida sob o olhar
atento e constante de um deus, conhecido como "Os portugueses" ou ainda "O canal
43". Tendo entrado lá para dentro (o que se pode comparar a uma espécie de
nascimento) crescem, "reproduzem-se" e saem. Depois, há a omnipresente
consciência (boa ou má, dependendo do ponto de vista) encarnada pela própria - a
magnifica Teresa Guilherme. Sempre apelando ao mais básico acto reprodutivo
(estarei a ser muito injusto?) e ao casório, Teresa revê com os
residentes, tal como um atrevido prior o faria, toda a conduta "moral" mantida
na última semana. Só que aqui, as condutas não se compadecem
necessariamente com os ensinamentos mais cristãos.
No momento em que saem da casa, quase
nunca faltam as lágrimas entre os residentes e até mesmo entre "Os portugueses".
Será que toda aquela exagerada emoção de despedida não poderá advir de uma
"lembrança", ainda que leve, de uma morte no mundo real? Pense nisso. Se for
verdade que nós, como espíritos, somos imortais e que já vivemos muitas vidas
sucessivas, então cada um dos portugueses, quer tenha mais ou menos consciência
disso, já experimentou muitas vezes as emoções associadas à morte. Quer da
própria morte, quer da morte de pessoas queridas. Acham que estou a abardinar,
não acham? Abardinação ou não, uma coisa é certa: se leu este texto até aqui com
atenção, a partir de agora não irá resistir a ver o Big Brother desta nova
perspectiva.
A vida de um ex-residente pode ser mais
parecida com o "Inferno" ou mais parecida com o "Céu". Disso, os residentes têm
plena consciência. É um pouco o reflexo da teologia cristã católica apostólica
romana. "Se te portares bem, irás para o Céu. Se te portares mal para o Inferno
irás". O Inferno poderá bem ser a reprovação "dos portugueses". O Céu poderá bem
ser o reconhecimento da "dignidade manifestada dentro da casa".
Experiência divina, ou não, o programa Big
Brother veio alterar indelevelmente o panorama televisivo português, com todas
as consequências que isso tem na vida dos telespectadores (que somos todos nós).
E essa é que é essa!
Dia 4-9-2003, Webmaster
Altruísmo pode definir-se como "amor ao próximo; amor à humanidade;
desprendimento do interesse próprio". Uma pessoa altruísta faz o bem a outro,
sem que isso traga para si qualquer proveito. Ora, se não se tem qualquer
proveito, porquê uma pessoa gasta a sua própria energia para bem exclusivo de
outrem? Esperem lá! Uma pessoa, sendo responsável pela sua própria
sobrevivência, pelo seu próprio sustento, pela sua própria segurança ... vai
dispor da sua preciosa energia e do seu precioso tempo, apenas para fazer bem a
outrem?! Ridículo!
É, muito provavelmente, por esta ideia ser
vista como absurda que ela não é aceite por grande parte das pessoas. Já é um
lugar comum dizer-se que cada vez mais se caminha para o individualismo,
para o egoísmo e para o egocentrismo.
Um dia nasceu um senhor lá para o médio
oriente que dedicou a sua curta vida a espalhar esta ideia de que
altruísmo era o único caminho para se ir para o Reino dos Céus. Hoje eu sei que
o homem tinha mesmo razão. E perguntar-me-ão - "Mas afinal, o altruísmo vale a
pena
ou não??".
Quando alguém conta uma história pela
metade, não pode dizer-se que essa história seja necessariamente falsa ou
verdadeira. E é aqui que está o fulcro desta questão. Quando o tal senhor, um homem
bom, anunciou que o amor ao próximo seria o caminho a seguir para entrar
no Reino dos Céus, esqueceu-se de sublinhar este facto muitíssimo importante -
as pessoas objectivamente sentem-se melhor consigo mesmas se praticarem acções
que favoreçam a sobrevivência de outras pessoas. E este "sentem-se melhor" não é
nada de subjectivo ou meramente aparente. É real! É tão real como o prazer de saciar a
fome, a sede ou outra qualquer necessidade do corpo. Quando uma pessoa sente
prazer (os médicos confirmarão) o corpo é inundado de substâncias químicas que
produzem a sensação de prazer. O mesmo se passa quando uma pessoa se zanga, mas
ao contrário. Estou certo que todos nós já experimentámos objectivamente este
efeito.
Ora então, se esta ideia não for polémica,
prossigamos com a decifração do conceito de altruísmo.
Muita da Verdade Bíblica, sabemos, é-nos
apresentada de uma forma metafórica. Que da costela de Adão Deus criou a mulher
é uma ideia que só pode ser vista como uma metáfora, que significará algo que,
por acaso, prefiro não comentar. E como esta metáfora a Bíblia está de certo
polvilhada de muitas outras. Assim, o conceito de Reino dos Céus, pode
eventualmente ser visto como mais uma metáfora. Se interpretarmos Reino dos Céus
como a Verdadeira Paz de Espírito, por exemplo, e se assumirmos que Paz de
Espírito é sinónimo de Felicidade e Bem Estar, então (estão a ver?) podemos ler
nas palavras do tal senhor que fazer bem aos
outros nos proporciona Felicidade e Bem Estar. E, consequentemente, o contrário
também é verdadeiro. Fazer mal aos outros criará, segundo esta nossa
interpretação, Infelicidade e Mal Estar.
Posso dizer-vos que, segundo outras fontes
mais recentes, isto é mesmo assim. E que isto mesmo pode ser comprovado de forma
repetida e que até existem fenómenos biológicos passíveis de serem
medidos electronicamente.
Já sei, já sei.... nos dias de hoje,
quando se quer validar uma qualquer bacorada, basta afirmar que tal coisa foi
provada cientificamente. No entanto, neste caso, a tal prova "científica" pode
ser feita por cada um de nós. Observe o mundo em seu redor. Procure alguém a
quem ajudar. Certifique-se que a ajuda que pensa prestar é de facto uma ajuda,
ou seja, se a sua acção irá de facto contribuir para a melhor sobrevivência
presente, a médio prazo e a longo prazo, da pessoa ou organização em causa.
O mero facto de dar esmola a um pobre poderá ser um acto de simplesmente
alimentar uma dependência, prolongando assim o sofrimento dessa pessoa. Logo,
reflicta bem na ajuda que irá dar. Certifique-se que essa ajuda não o prejudicará a si mesmo.
Meta mãos à obra e preste essa ajuda!
Ok.... Como se sente?
Agora vejamos o oposto. Lembre-se de uma
qualquer vez que tenha feito mal a alguém. Não se concentre em algo muito
importante porque isso poderia trazer-lhe demasiada angústia. Pense em alguma coisa quase
inócua mas que tenha sido negativo para alguém.
Como se sente? Seja honesto consigo mesmo
e valorize os seus sentimentos.
Vejamos agora o seguinte raciocínio: Você passará a maior parte da sua vida a
trabalhar duramente para ganhar o dinheiro suficiente para poder garantir
tudo o que necessita para ter Qualidade de Vida. E Qualidade de Vida, sabemos
todos, equivalerá a Sentir-se Bem e Ser Feliz. Já reparou que vivemos tempos tão
perturbados que a própria palavra "Felicidade" se tornou quase ridícula e
constrangedora? Dizia o poeta que "Todas as cartas de amor são
ridículas"... Pois, da mesma forma, hoje em dia uma pessoa dizer que quer ser feliz, quase se
torna lamechas e ridículo. Temos que admitir que
descemos mesmo muito baixo. Voltando ao raciocínio, se passamos quase toda a
nossa vida a perseguir a felicidade, será que não daria jeito ter um atalho para
algo que nos fizesse sentir melhor e assim sermos um pouco mais felizes?
Ora, aqui vai o atalho: faça qualquer
coisinha que possa contribuir para melhorar a sobrevivência de alguém, sem que isso o prejudique.
E quanto ao trabalhinho para ganhar
carcanhol? O conselho é este: mate três coelhos com a mesma cacetada - procure
trabalhar naquilo que gosta, fazendo o bem à comunidade que o rodeia e ganhando
o cacau que bem falta lhe faz. Pois se o dinheiro não traz felicidade, a falta
dele dá um mau jeito do caraças.
Dia 29-7-2003, Webmaster
A estrada é um ecossistema fascinante! Para quem é apaixonado pelo mundo
da natureza mas sente que pouco mais há para ver em documentários tipo ... BBC
Vida Selvagem... aconselho vivamente um olhar atento à Estrada. É nesse sentido
que decidi escrever estas breves palavras sobre um dos mais interessantes
espécimes da Estrada - o Domingueiro! O Domingueiro distingue-se do resto da
espécie pelos seu hábitos semanais, estivais e sazonais de deslocação neste
meio, não menos fascinante, que é a Estrada. Caracteriza-se essencialmente pela
sua grande capacidade de surpreender os outros espécimes, à qual se juntam
alguns surtos de enorme generosidade no que toca ao concessão de prioridade a
outros membros da espécie (que de outro modo teriam que esperar segundos
mais para poderem passar). O Domingueiro raramente tem acidentes. Pelo
contrário, é muito frequente ser surpreendido com acidentes que costumam ocorrer
à sua volta. A sua frase favorita é "Tenho muitos anos de carta!" É aliás
baseado neste facto que prossegue vigorosamente a sua actuação no seu meio.
Tal como o nome indica, desloca-se principalmente ao Domingo, mas um olhar mais
atento pode facilmente detectar a sua presença logo a partir das 18:00 de
Sexta-feira. Nas épocas festivas, tais como no Natal, Carnaval e Páscoa, é
impressionante a invasão destes espécimes no meio rodoviário. Apesar das suas
indubitáveis habilidades de condução dos Domingueiros, acumuladas ao longo
de intermitentes períodos de presença na estrada, os chamados "Condutores
de Semana" insistem em causar na sua presença as maiores taxas de acidentes que
ocorrem durante o ano. Segundo as estatísticas é nestes períodos que ocorrem
mais acidentes, o que faz dos Domingueiros uma subespécie à qual não se
tem dado o devido valor de coragem e de valentia face ao sempre presente perigo
que o persegue para onde quer que vá. Já se pensa inclusive em atribuir um
subsídio especial de risco a este tipo de cidadão, tal não é a
perigosidade a que tem sido sujeito ao longo destes anos.
Embora não seja uma prática exclusiva do Domingueiro, a Orçamentação é uma
actividade que é muito apreciada por esta subespécie. Sempre que se aproxima de
um acidente, tem o cuidado de abrandar para determinar, com uma precisão aguçada
com o passar dos anos, qual o montante que deve ser gasto para reparar o veículo
sinistrado. Por vezes é necessário mesmo parar, tarefa a que o Domingueiro não
se escusa, apesar do risco de vir algum desses Semaneiros atrás, a chiar
pneus, bater imprudentemente na sua traseira. Pois estes Semaneiros, como
não usufruem da vasta experiência Dominical, não entendem que quem "bate
por trás, paga!".
Para terminar, quero chamar a vossa atenção para um dos fenómenos mais
intrigantes que ocorrem na Estrada. Chama-se o fenómeno do Ops! Temos que
poupar. Mais uma vez, não é algo exclusivo do Domingueiro, embora haja uma
predominância desta subespécie no aparecimento deste fenómeno. O fluxo de
deslocação para o lugares onde os espécimes vão passar o dia, em actividade
laboral, não é uniforme ao logo do mês. Pelo contrário, costuma intensificar-se
a partir do dia 22 de cada mês, vindo a reduzir-se visivelmente a partir do dia
8 do mês seguinte. É por esta altura que se dá o fenómeno Ops! Temos que
poupar. Um aprofundado estudo científico conseguiu determinar com alguma
exactidão como se processa este fenómeno. Aparentemente é na altura do dia 22 do
mês que os primeiros espécimes recebem o seu pagamento nas sua contas bancárias.
Ora como o dinheiro é algo que o Domingueiro (e outros) sabe gastar com mestria,
este resolve aplicá-lo naquilo que considera mais precioso - a sua locomoção.
Tira a sua viatura da garagem e faz-se à estrada. Ora como todos os outros assim
também o fazem, é vê-los calmamente a deslocarem-se (todos juntinhos, uns atrás
dos outros) para os seus locais de trabalho. É certo que os veículos gastam mais
combustível quando há mais trânsito na estrada. Mas é aí que o Domingueiro
elabora a seguinte brilhante computação: "Porque é que eu tenho que ir de
transportes?!". A resposta do tipo "Porque chegavas mais depressa!" é
consecutivamente (e justificadamente!) rejeitada até àquele dia em que se
se dá aquele espectacular fenómeno Ops! Temos que poupar. Esse dia
coincide, segundo o estudo científico, com a altura do pagamento das rendas da
casa. É nesse dia que ocorre na mente deste automobilista uma não menos
brilhante ideia que muda o panorama do trânsito (pelo menos até ao dia 22
seguinte): " E se eu fosse de transportes?!".
Como diria a outra "Isn't it amazing?!"
Dia 14-7-2003, Webmaster
Hoje gostaria de escrever sobre um outro super poder que o povo tem. O
super poder da mão esquerda! A mão esquerda, quando usada com mestria tem o
poder de acalmar o stress e dar qualidade vida, não só aos próprios como a
todos os que nos rodeiam. É realmente notável o que esta mão pode fazer em prol
do bem estar do Homem. Em algumas nações do mundo, o poder desta mão é
substituída pelo poder da mão direita. É o caso de, por exemplo, os ingleses.
Mas esses também têm a tendência de ser diferentes em tudo, não é assim?
"Ora, o que pode uma simples mão fazer?" - perguntarão vocês. Bom! Há vezes em
que nos deparamos com situações em que é necessário trazer harmonia ao nosso
percurso. Na vida existe muita consternação e muito stress. E as pessoas, não
conseguindo abstrair-se de toda essa carga, transportam consigo uma grande
energia negativa que, inevitavelmente, se acaba por transmitir aos outros. E
porquê? Ora, é tudo uma questão de movimento. Não havendo movimento nas suas
vidas, as pessoas ficam ansiosas. Não havendo fluxo, as pessoas ficam
irritadiças e tendem a ser desagradáveis umas para as outras. E o desagrado gera
ainda mais carga. E isto provoca infelicidade generalizada na sociedade. As
pessoas cruzam-se todos os dias. Mas parece haver uma falta de tempo tremenda.
Pelo menos existe uma sensação de falta de tempo. E a falta de tempo gera
ansiedade, e ansiedade gera infelicidade ... estão a ver a falta que faz
algo tão ao nosso alcance como a nossa mão esquerda?
Para quem ainda não sabe usar a mão esquerda para aliviar a stress, passo a
explicar, fruto da minha própria experiência, como usá-la com mestria.
Você vai no trânsito ... sim, você usará a sua mão esquerda no trânsito. Tem
vergonha?! Ora essa! Prefere estar cheio de stress?! Dizia eu, você vai no
trânsito, as pessoas ao seu redor parecem estar todas muito mal dispostas.
Pudera! Passam a maior parte do tempo paradas e sem movimento, não é? Temos que
compreendê-las. Um dia, quando tiver experimentado o verdadeiro prazer de usar a
sua mão esquerda em pleno trânsito, você vai contar aos seus amigos, que por sua
vez, já relaxados e felizes, vão contar aos amigos deles e assim por
diante. Onde é que eu ia?... Ah, pois... você vai no trânsito. Todas as
pessoas muito mal dispostas ao seu redor. Você decide ir, por exemplo, para a
faixa da esquerda porque está a andar um bocadinho melhor. Ninguém o deixa
entrar. Você abre o vidro e .... meus amigos ... vai-se fazer História neste
site .. você estende a sua esquerda pedindo aos condutores para poder passar.
Algo extraordinário ocorre. Eles deixam-no passar! É este o poder da sua mão
esquerda! Os ingleses conduzem à direita por isso têm que usar a mão direita.
Após ter entrado na nova fila, você estende a sua mão esquerda em sinal de
agradecimento. Uma estranha satisfação invade a sua alma. Pensamentos
do tipo "Este tipo foi porreiro!" ou "Ainda há gente simpática", trespassarão a sua
mente administrando-lhe, de forma natural, um calmante provindo das suas própria
glândulas. E então o outro que deixou passar? Se correctamente usar a sua mão
esquerda estendendo-a por cima do volante, com a palma virada para cima, num
ângulo de 45º, podendo ler-se-lhe nos lábios "Passe, passe!" ... se usar a sua
mão esquerda assim, este pequeno gesto pode salvar-lhe o dia, meus amigos. Tal
não é a satisfação que se resguarda por detrás dele (do gesto). E isto resulta
nos cruzamentos, nas rotundas e nos entrocamentos!
E quando alguém nos apita porque no entender dessa pessoa fizémos #$@& ? Temos
que desculpar. Está com stress. Ainda não conhece o poder relaxante da mão
esquerda. E a ignorância não é maldade ... é ignorância. Pois bem, essa pessoa
apita-nos no trânsito. Até pode não ter razão! A sua primeira reacção seria :
"Vai pró raio que te parta oh camelo!" . Errado! Certo seria abrir o vidro e
estender a mão esquerda em sinal de "Calma amigo!" ou "Se calhar enganei-me.
Desculpe lá, amigo." Resulta sempre! Relaxa e alivia o seu stress. Relaxa e
alivia o stress do outro senhor. Ele irá à sua vida pensando "Bem... desta vez
passa... toda a gente se engana, não é? ... se calhar até fui eu que fiz #$%&
... " . E isto tudo acompanhado de uma leve sensação de compreensão e
harmonia.
Acreditem, a técnica da mão esquerda
resulta e traz felicidade. Nem sei se esta mão poderá ser tão gratificante
como nas situações que descrevi acima? (... só não percebo esse sorrizinho ...)
Dia 10-7-2003, Webmaster
Hoje, se não se importam, apetece-me novamente abordar o tema da Democracia. A
palavra é composta pelas palavras gregas, demos que significa Povo e
kratos, que significa Força. Ora portanto, a democracia significa
literalmente, a força do povo. Sim, o Povo não só é sábio, como também tem
força. A força da generosidade, da fraternidade e de harmonia. Por toda a parte
se pode observar a democracia em plena acção. É bonito! Porque afinal, o Povo
somos todos nós...
Mas a mim, o lugar que mais me encanta quando observo a democracia em acção é o
trânsito. O trânsito é (por assim dizer) um perfeito exemplo de um
ecossistema democrático. No trânsito quase não há aristocracia. Bem ... de vez
em quando vêem-se por aí uns carritos mais caros mas ... a verdadeira essência
da democracia está lá, meus amigos.
No trânsito não há descriminação. O automobilista, esse magnífico espécimen da
família demos, não descrimina nem raça, nem sexo, idade, credo ou peso
corporal. Quando dirige o seu veículo, em plena harmonia com o que o rodeia, o
automobilista apita regularmente aos seus companheiros, dando-lhes indicações
técnicas sobre as opções de marcha. Duma forma generosa e saudavelmente
enérgica, são comuns indicações verbalizadas tais como "Sai da frente, oh
palhaço!", "Pá próxima faz o pisca, oh urso!" ou ainda, " Passa por cima, oh
#$%&@!". Companheirismo, familiaridade, comunhão de ideias e técnicas, enfim,
verdadeira harmonia democrática. Repare-se em como se tratam todos por tu
revelando familiaridade, informalidade e alguma cumplicidade. Afinal partilham
todos os dias o mesmo habitat. Veja-se também como cada troca de
indicações é sempre acompanhada de uma expressão que nos fazem recordar os bons
momentos dos desenhos animados da nossa infância : "palhaço" ou "urso", por
exemplo. Depois, há ainda o extensíssimo vocabulário (léxico) que cada um dos
condutores aprende e aplica na estrada, dando-lhe uma excelente preparação para
a vida no que respeita à sua língua materna.
Por vezes, alguns condutores chegam mesmo a ser altruístas e
voluntariosos, duas grandes qualidades da democracia. Por exemplo, ouvi na rádio
um caso que ilustra bem esta nobre faceta do automobilista. Passou-se no
garrafão da Ponte sobre o Tejo. Um automobilista, após algumas indicações
verbais e outras tantas gestuais (é de realçar a abundante vontade de comunicar
desta espécie), não conseguindo fazer passar a sua mensagem, sai da sua viatura
... (trânsito parado) ... batendo em seguida no vidro do outro automobilista,
seu vizinho de jornada. Este último, revelando talvez alguma incapacidade física
para comunicar verbalmente (devia ser mudo, ou estava com a garganta inflamada,
ou coisa assim) lá foi respondendo com linguagem gestual. Dos muitos gestos que
foi fazendo ao automobilista apeado, o locutor da rádio só descreveu um (por
sinal, bastante comum no trânsito) em que o dedo médio se sobressai na mão, com
todos os outros retraídos. O apeado, entendendo a cordial mensagem,
regressa ao seu veículo. Eis se não quando (justamente antes de entrar na sua
viatura) repara que o carro do outro senhor talvez não lhe permitisse cumprir
com as instruções que lhe estavam a ser dadas. Bem! Só sei que devia ter alguma
coisa a ver com aerodinamismo, pois o condutor que insistia em fazer-se entender
retirou do seu carro uma ferramenta igualzinha àquela que é usada pelos
jogadores de baseball e, de uma forma coordenada mas enérgica, deu uns retoques
na chapa do outro carro. O indivíduo do carro sujeito aos ajustes na chapa,
depressa se mobilizou, que é como quem diz, depressa pegou no telemóvel, talvez
para dar a fresca notícia à sua família de que tinha encontrado na estrada um
bom homem que se prontificou a fazer um upgrade no seu bólide, que é
coisa que agora até está muito na moda - o tunning.
Mas não se pense que a democracia se encontra apenas no habitat das
nossas estradas e ruas. A democracia é sinónimo de generosidade, de ânsia de
comunicar e de não descriminação. Vejamos os cavalheiros das obras. Fala-se
muito na depressão das mulheres. "Ai, sou tão gorda!", "Tenho uma borbulha
enorme!", "Nunca tenho roupa para me vestir!", "Estes sapatos ficam-me tão mal!,
.... e poderíamos estar aqui eternamente. Sinceramente não entendo o
porquê de toda esta depressão. Se tudo o que que uma qualquer mulher, de
qualquer raça, de qualquer massa corporal, feia ou bonita ... dizia eu, se tudo
o que qualquer mulher pode e deve fazer é passear-se por baixo de uma obra.
Expressões terapêuticas tais como: "Oh booaaa!", "Boazona!", "Comia-te toda!",
"Anda cá, borracho!", "Eh, carapau!", entre outras, são tudo o que uma senhora
precisa para elevar a sua auto estima, eliminar quaisquer sinais depressivos e
largar de uma vez todos aqueles comprimidos que só lhe fazem é mal. Repare-se
como os cavalheiros são fraternos, realçando nas damas as sua verdadeiras
qualidades espirituais e até expressando a sua própria disposição para se
alimentarem dessas mesmas qualidades. E depois, aquela deliciosa expressão
evocativa da pesca ... e do mar .... Todas essas expressões destes cavalheiros,
só se conseguem suplantar pela riqueza léxica que normalmente é difundida neste
ambiente. Expressões como #$%&£, @§#$% ou ainda *+#$%&,
são disto bons exemplos. E esse serviço à educação linguística dos nossos
infantes é (temos que reconhecer) uma dádiva desinteressada dos senhores
que, entretanto e pelo caminho, também constroem as nossas casas, os nosso
edifícios e as nossas pontes. Ou não fossem eles um bom exemplo do que é a
democracia em que hoje vivemos.
Dia 7-7-2003, Webmaster
A coisa mais espantosa da democracia e sociedades actuais é a liberdade que cada
cidadão tem para exprimir as suas ideias e opiniões. De tal forma que nos dias
de hoje, contam-se às centenas os sites na Web onde se podem encontrar ideias,
opiniões, graças, conselhos, descrições da vivência em forma de diário, etc...
(muito, muito etecétera ...). Tanto é assim que o problema hoje já não é
possibilidade de uma pessoa de exprimir, mas sim a possibilidade de se fazer ler
ou ouvir.
Estamos talvez a meio de um caminho da comunicação pura entre unidades de
consciência. Sim! Um dia seremos consciências a comunicar livremente umas com as
outras. O telemóvel é, ao mesmo tempo um exemplo ilustrativo e um percursor
(ainda rude) desse nosso estado futuro. Quando chegarmos aí (se entretanto não
cair para aí uma bomba nuclear que nos mate a todos) já teremos resolvido o
problema da disputa pela atenção. Pela simples razão de que, quando chegarmos
aí, será porque seremos todos (ou quase todos) seres suficientemente
interessantes para nos cativarmos uns aos outros. Ao fim destas linhas já deverá
estar a pensar: "Não sei o que é que estas ideias têm de radicais ou
irreverentes...".
Para este espaço prometemos espírito aberto, ideias radicalmente diferentes dos
dogmas tradicionais. Não quer dizer que vamos defender coisas indecentes... pelo
contrário! Também não vamos escrever palavrões. Seria simplesmente ordinário e
desnecessário. Escreveremos aqui o que pensamos, de uma forma livre e
espontânea. Também não falaremos contra ninguém. Simplesmente defenderemos
novas maneiras de pensar, mesmo que tais maneiras possam ser contrárias ao que
algumas pessoas fixamente têm como certo e inabalável. Não entraremos em
partidarismos. Mas não nos esquivaremos a expor ideais políticas, se tais nos
vieram à mente. O espaço Milfontes.net é um espaço são, educado e ético. Nem
aqui isso se alterará.
Ok. Feitas as ressalvas, voltemos à ideia
da comunicação pura entre unidades de consciência. Nos dias de hoje, as pessoas
e as empresas lutam para conseguir dos demais um bem que se mostrou ser precioso
- a atenção. Hoje, o spam (envio de mensagens electrónicas sem consentimento dos
receptores), os mailings, os outdoors (aqueles enormes cartazes a dizer coisas
como "Beba Coca-Cola" e outras coisas do género), os anúncios de televisão,
todos estes meios lutam pelo mesmo: a sua atenção. E você, o que é que faz? Cede
aqui, ignora ali ... cola aqueles autocolantes amarelos na caixa de correio para
não receber publicidade... Mas os marotos até a isso dão a volta, enviando
jornais como veículo publicitário. É uma luta constante entre o "Dá-me atenção,
por favor" e o "Larga-me, deixa-me!". O Povo (esse grande sábio) diz que tudo o
que é demais não presta. E hoje o excesso de necessidade de atenção não presta,
efectivamente. Um dia as pessoas aperceber-se-ão de uma coisa muito simples:
a melhor forma de se ganhar a atenção é simplesmente ser-se interessante. Nos
dias de hoje, com a crescente interactividade e com esse magnífico super-poder
que se chama "comando remoto", o mexilhão é Rei. Mexilhão?! Sim, o Povo! E os
grandes magnatas que têm muito dinheiro e controlam tudo, têm cada vez mais que
cativar o Mexilhão. Antes era assim: "Tu, mexilhão, compra isto! Compra isto
porque isto é bom e porque só há isto." E o Mexilhão, coitadinho, comprava. Hoje
já não é assim. Hoje é : "Ei...ei..., s-sim, tu, olaaaá.... não... olha práqui!
Vá laaaaá... ok. Estás a ver esta mulher toda gira? Hã?! Estas pernas! Uau! Hã?
O meu produto é assim. E se tu me compr.." ZAP, "olha... o sacana mudou
de canal." Pois é, o Mexilhão agora tem super-poderes. Para terem a
atenção do Mexilhão, as grandes companhias têm que?... Ser interessantes! Ser-se
interessante não é fazer-se interessante. Não esquecer que o controlo remoto é
Poder! Ser-se interessante é ter-se Identidade. E Identidade é a qualidade de
algo que É. E SER é tudo aquilo que se pretende que haja. Baralhados? Eu
explico: para se ser interessante há que haver um motivo para isso. Há que haver
valor que interesse. E isso é SER algo. É ter-se uma IDENTIDADE. Um champô é
interessante porque É um champô. E um champô é aquilo que o consumidor procura.
O consumidor não procura um líquido asqueroso que provoca caspa. Isso não é um
champô, é um líquido asqueroso que provoca caspa. Logo, se for um mau produto,
esse pseudo-champô não tem uma Identidade ou, sendo mais rigoroso, tem uma
Identidade falsa. Assim que for percebida como falsa, deixa se haver Identidade
e logo deixa de haver Atenção. Mais do que isso, passa a haver aí uma outra
Identidade - "uma porcaria" - e, havendo atenção aí, é daquela atenção que
nenhum fabricante de champôs deseja.
Moral da história: um dia daremos livremente a nossa atenção a todos os demais e
seremos o alvo da atenção de todos os demais. Nesse dia, seremos todos
interessantes, porque seremos genuinamente bons.
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