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Razão de ser

A Genealogia, ou a Ciência da História da Família, é hoje uma ciência auxiliar da História. Não é pois de facto mais possivel estudar a História do Homem sem se conhecer a sua origem, ou a História de um local sem se conhecer quem foram os homens que a fizeram. E investigar a História em todas as suas vertentes, política, geográfica, religiosa, comunitária, social, económica, etc., não é mais possível sem o estudo da História de cada uma das Famílias que a fez. É exactamente nessa questão primordial que a Genealogia surge como sustentáculo da informação da organização estrutural de um lugar.

Os primórdios

Em Portugal, o primeiro livro de genealogia que se conhece é o «Nobiliário do Conde Dom Pedro», datado do séc. XIII, base do estudo de todas as genealogias medievais portuguesas. Ao longo da nossa História vários foram os livros de genealogia escritos por diversos autores, que atingiram o maior volume nos séc.s XVIII e XIX. No entanto, mercê das conjunturas da época, e que não nos cabe aqui discutir, muitos dessas genealogias foram forjadas pelas penas de gentes com interesses perversos e falsificadores. Por outro lado, vários autores considerados fidedignos e quase científicos, mesmo apenas ao serviço das suas inteligências e carolices, não lograram muitas vezes evitar os erros mercê da falsidade dos próprios informadores e testemunhas que inquiriam e lhe forneciam dados. Não havia pois a facilidade que hoje existe de comunicação e consulta de documentação, nem sequer se podiam deslocar com a facilidade que hoje fazemos aos locais onde essa documentação existia.

A moderna Genealogia

Hoje fazer Genealogia é completamente diferente. Não nos podemos quedar por ler e transcrever o que esses mesmos autore, por mais fidedignos que sejam, nos deixaram como testemunhos, muito embora nele nos apoiemos sempre que é de facto necessário, particularmente quando a informação começa a escassear. De facto hoje fazer Genealogia é investigar documentos coevos originais onde eles existem e quando existem. Essa documentação, que é de diversa índole, encontra-se espaalhada por todo o País, com uma maior concentração no Arquivo Nacional da Torre de Tombo, em Lisboa, e ainda nos Arquivos Distritais, nas capitais dos vários distritos.
Documentos base para o início de qualquer estudo de investigação genealógica são os registos paroquiais, ou sejam, os registos feitos nas paróquias dos baptizados, crismados, casados e óbitos de todas as gentes de todas as paróquias do país, que se tornaram obrigatórios com a Reforma Pombalina no séc. XVIII levada a cabo pelo grande estadista português Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde de Oeiras. Garante-nos assim, que pelo menos desde a segunda metade do séc. XVIII temos documentos inequívocos sobre a filiação das gentes. No entanto, felizmente, é comum esses registos existirem desde meados do séc. XVII e em alguns casos mesmo, desde meados do séc. XVI. Com a implantação da república em 1910, esses registos passaram a ser obrigatórios nas Conservatórias do Registo Civil, onde se encontram assim desde então até aos dias de hoje. São pois esses registos os documentos fundamentais e base de qualquer investigação genealógica.

Milfontes em particular

Ora todos os registos anteriores a 1910 estavam pois nas inúmeras igrejas paroquiais por este país fora e foram recolhidos e depositados nos Arquivos Distritais correspondentes. Quer isso dizer que qualquer investigação genealógica em documentos anteriores a 1910 terá de ser feita nos livros paroquiais da freguesia correspondente no respectivo Arquivo Distrital. Ou seja, a busca de qualquer registo de Vila Nova de Milfontes, por exemplo, no séc. XVIII terá de ser feita no Arquivo Distrital de Beja no respectivo livro paroquial, página a página, tomando com isso horas e horas de investigação dias e dias a fim.
É essa a razão primordial da existência desta base de dados. O que nos propomos é inédito, e também essa razão nos moveu com tanto entusiasmo.
Fazer o levantamento exaustivo de todos os baptizados, crismados, casados e óbitos da paróquia de Vila Nova de Milfontes (segue-se a do Cercal) e colocá-la acessível a todos nas suas próprias casas, num software de fácil utilização e que organiza as árvores genealógicas de todos as gentes nela contidas.
É um primeiro passo para que um dia todas as inúmeras paróquias deste país estejam em bases de dados semelhantes na Net e se possam organizar as genealogias de todas as Famílias Potuguesas.

Texto de Luís Soveral Varella

Para entrar no site de Genealogia clique aqui:

Genealogia das famílias de Vila Nova de Milfontes 

 Um site da autoria de Luis Soveral Varella

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